sexta-feira, fevereiro 13, 2009

São Valentim

Não sei o porquê de se "festejar" a 14 de Fevereiro o dia de São Valentim. Dando uma breve vista de olhos na wikipedia fiquei a saber que há referencias a pelo menos 3 Valentins na história da igreja católica. Que todos eles sofreram muito e ajudaram os outros - biografia default dos santos.





(Espaço reservado a piadas com o Valentim Loureiro, padroeiro de Gondomar)

Deixando um pouco de lado os pormenores históricos, certo é que nos dias que correm São Valentim é um santo do mais fashion que pode haver.
Dia 14 é um dia de celebração para namorados(as), maridos e mulheres, amigos coloridos...

Mas afinal qual é o verdadeiro significado deste dia?
Uns dias antes ou até no próprio dia muitas pessoas começam a correr às lojas a tentar comprar peluches com ou em forma de corações com dizeres do género "Amo-te muito" ou "És a luz dos meus dias" ou "És a coisa mais fofa do mundo"...

Ou então compram prendas irracionalmente dispendiosas só porque aquele dia é especial.
Depois tentam marcar um jantar no restaurante mais caro da cidade.
Normalmente esses restaurantes já estão lotados e as pessoas vêem-se obrigadas a fazer uma marcação num restaurante não tão glamoroso (mas nem por isso mais vazio) e que frustra o ideal da noite perfeita.
Depois há ainda que comprar um ramo de flores, arranjar o cabelo, vestir uma roupa lavada...

Há, ainda, aqueles que optam por uma postura mais zen perante isto tudo. Surpreendem a pessoa amada com uma singela flor, um poema de amor, um jantar preparado em casa ou uma serenata. Mas mesmo assim fazem-no neste dia... "por ser um dia especial".
Mas especial para quem? Só se for para o Valentim...

E se depois algo não corre como previsto, há amuos, suspiros desconsolados ou um "Não sabes aquilo de que realmente gosto...", "Isto só mostra que não me conheces..." ou "Pelo menos o Zé não me levava a ver filmes do Chuck Norris"

Ousem, sejam originais - Deixem passar este dia em branco, deixem as vossas moças em casa a passar sabão numa roupa e vão para o tasco ver a bola.

Falando mais a sério e sem entrar em discursos moralistas, a cada ano que passa é mais visível a tentativa de enfiar no calendário dias especiais para por a malta a gastar mais uns trocos.
E não é só dia dos namorados. Ele é dia da mãe é dia do pai (O que há uns anos era um pretexto para fazer uns trabalhos manuais todos catitas na escola agora é mais uma enxurrada de publicidade a perfumes, canetas, relógios). E agora também temos o dia dos avós. E a tradicional Pascoa com os padrinhos/afilhados. E aniversários de toda a gente que conhecemos e de mais alguns que não conhecemos lá muito. Basicamente é um modo de estender aquele bichinho consumista do Natal pelo ano todo.
E como se isto não bastasse também nós andam a impingir o halloween para termos Carnaval 2 vezes por ano.

A ideia de mostrar-mos o quanto gostamos uns dos outros é óptima mas infelizmente a visão idílica faze-lo todos os dias é quase utópica pelo menos antes da reforma. No entanto por mais ocupada e confusa que seja a nossa vida ter que guardar todo o amor para um dia predefinido e ainda por cima condensado numa prenda muito bem embrulhada também não!
Vamos aproveitar todos os bocadinhos livres que ainda vamos tendo para o fazer. Se não chegar vamos criar bocadinhos livres não é difícil: deixa-se o trabalho um pouco de lado, perde-se a próxima jornada da Liga dos Campeões... e vamos estar com as pessoas que realmente importam para nós até porque "o amor é mais bonito que a vida".

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Cautela com os amores

Depois das afirmações do cardeal Policarpo eu também me acho na obrigação de dar conselhos às moças casadoiras: Não se casem!
Mas podendo isto ser ligeiramente extremista vamos aligeirar as coisas e analisar com quem é podem evitar dar o nó.

O cardeal já avisou sobre os muçulmanos.
Também não acho os budistas uma melhor escolha. É certo que não passam a vida a explodir mas tendo em conta o que eles comem aquilo em dias maus deve ser só estouros.
Católicos também são para riscar da lista. Primeiro são comandados por pessoas como o Policarpo depois têm aqueles ideais engraçados relativamente à sexualidade que podem dar origem a um filho por ano, coisa que suponho não ser agradável quer económica que fisiologicamente.
E para terminar pensem duas vezes antes de casar com um benfiquista, pensem seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem o Vieira sabe onde é que acabam...
Em primeiro lugar há uma forte possibilidade de vos sair um taxista de meia idade com um farto bigode e uma enorme barriga de cerveja.
Depois existem os aspectos relacionados com o culto da bola. Os fins de semana passados em família não existem. A televisão está sempre na Sportv ou no canal do benfica. Se o benfica perde ele vai chegar a casa chateado e resingão se o benfica ganha provavelmente não chega a casa. E em qualquer dos casos vai passar a semana a dizer que foi roubado pelos arbitros.


domingo, janeiro 04, 2009

EUA

Um dos marcos de 2008 foram as eleições americanas culminadas na eleição de Obama, da mesma forma a sua tomada de posse será um importante momento neste início de 2009. As suas políticas serão, quer queiramos ou não, um dos principais factores que definirão o caminho que a tão falada crise mundial tomará.

Existe na Europa uma grande simpatia por Obama, convém não esquecer que muita dessa simpatia foi criada pela gigante máquina publicitária do democrata. Pois porque na política os olhos também comem e muitos dos seus simpatizantes, pelo menos aqui em Portugal, não fazem ideia das politicas que ele propõe ou qual o rumo que ele pensa seguir quando iniciar a governação o que também não lhes interessa muito desde que ele continue a aparecer na televisão com a mulher e as filhas mas isto já são contas de outro rosário.

Apesar desta súbita simpatia nos últimos anos uma cultura anti-americana tem vindo a instalar-se na nossa sociedade, é moda ser-se contra tudo que venha do outro lado do oceano. É certo que isto advém em muito das mais que discutidas politicas externas praticadas pelos americanos. Mas ninguém pode negar que a nossa estabilidade económica e política depende em muito da estabilidade deles e isto não é novo, basta olhar para o que aconteceu à Europa a quando da famosa Black Thursday no final dos anos 20.

Também ninguém pode negar a grande influência que eles têm no nosso quotidiano, na música que ouvimos, nos filmes, na televisão que vemos, na roupa que vestimos e até naquilo que comemos.
Lá é feita grande parte da investigação científica de todo o mundo de lá surgem muitas das grandes revoluções tecnológicas mas contrastado com tudo isto existe todo aquele patriotismo impregnado na cultura deles que os impossibilita de ver que existe mais gente no resto do planeta, existe todo aquele conservadorismo hipócrita que tem na religião explicação para tudo, que proíbe que Darwin seja ensinado nas escolas de alguns estados ou que a pena de morte seja uma prática corrente.

É um país muito grande com uma população enorme e muito diversificada culturalmente, por isso é muito difícil, para não dizer impossível analisá-lo como um todo. É perigoso e errado generalizar a todos os americanos o que se vê uma parte deles fazer ou dizer.
Não vou dizer que o que eles têm de bom compensa o que têm de mau mas viveríamos num mundo bem diferente se eles não existissem não sei se melhor ou pior mas de certo sem coisas como Rato Mickey, Jeff Buckley, calças de ganga, Pulp Fiction, Tom Waits, lâmpada eléctrica, Coca-Cola, Miles Davis, Se7en, O Padrinho, Friends, jazz, Seinfeld, McDonalds, Simpsons...

sábado, janeiro 03, 2009

2009

Depois de ouvir e reflectir sobre todas as declarações dos altos responsáveis deste país nestas últimas semanas acho que estas podem ser vistas tanto sob um ponto de vista mais optimista como por um bem pessimista.

O primeiro, optimista, é que se as coisas continuam assim os portugueses vão acabar a comer merda.
Vendo isto por um prisma pessimista a merda pode muito bem não chegar para toda a gente.

Voltar?

Subitamente deu-me uma vontade de escrever umas coisas num blog, tendo este criado já há uns anos não fazia sentido criar um novo e se esta vontade permanecer, coisa que tenho algumas dúvidas, aqui postarei (já tinha saudades desta linguagem da blogosfera) o que tiver a dizer.

Achei imensa piada estar a reler coisas que aqui tinha escrito, muitas das quais já nem me lembrava, e fazer um paralelismo entre o que se passava na altura e o que se passa agora. Muitas coisas mudaram, outras nem tanto...

domingo, julho 15, 2007

Publicidade Enganosa

Hoje de manhã fui ao local habitual de voto da minha freguesia e não é que aquilo estava fechado.
Parece que só os lisboetas é que podiam votar...

domingo, abril 16, 2006

Missa

Hoje esteve a ser transmitida missa na TV...
Seria pecado se eu a visse?

quarta-feira, abril 05, 2006

No Comment (3)

"Na champions parece que favorecem os emblemas mais grandes"
(Petit)

quinta-feira, março 30, 2006

work in progress

work in progress

work in progress

WORK IN PROGRESS

work in progress

work in progress

work in progress

work in progress

sexta-feira, março 24, 2006

O Canal

Com tanta porcaria na televisão portuguesa quero chamar a atenção para um excelente canal de televisão que descobri esta semana ao fazer zapping. Tem uma programação um bocado limitada, mas ao menos não oferece as estopadas do costume, incluindo intermináveis sessões de publicidade. Chama-se “AV1”. E se lhe associar um aparelhómetro em que se põe uns dvd's pode-se ver coisas fantasticas como esta.

quinta-feira, março 23, 2006

O que eu gosto...

...da Primavera...

segunda-feira, março 06, 2006

É tudo nosso

Cada vez mais nos chegam sinais de que o nosso planeta se está a virar contra nós: a proliferação da gripe das aves, o aquecimento global, o Marques Mendes. Estamos a ficar tão encurralados como um heterossexual numa companhia de dança. Mas será que este planeta é mesmo nosso?

Segundo a bíblia, Deus criou o universo em seis dias, tendo descansado ao sétimo.
(Esta história parece-me ter pouca lógica pois, segundo a Bíblia, Deus criou os Céus e a Terra e só depois disse “Let there be light”. Não era mais fácil fazer o trabalho já com a luz ligada? Mas pronto... isto até pode ser uma válida explicação para a existência de certos locais.)
Mesmo levando isto à letra, para o que se terá de se esquecer essa pequenina coisa chamada Ciência, a duvida é válida: terá Deus criado este planeta para nós? Se sim, espero que Ele esteja já a pensar no próximo. Se não, estamos mesmo a pagar dinheiro a mais pela renda das nossas casas.

Temos de admitir que isto tudo, a nós, está muito mal entregue. Tínhamos um planeta novinho nas nossas mãos, com os recursos todos em pleno, intactos. E o que é que fizemos? Vivemos felizes para sempre? Não! Não descansámos enquanto não inventámos o álcool, as drogas, a prostituição. E coisas más também.

Se não fosse por nós, não haveria extracção de minérios, construção, poluição, a TVI. Não haveria armas, acidentes rodoviários, ou reality shows. Mas, e Deus, na sua infinita sabedoria, deve ter percebido isso, também não haveria religião. Não estou a ver animais irracionais a construir templos para adorar uma entidade superior, e não me venham falar dos adeptos de futebol, que apesar de tudo, são "bípedes implumes".

Sendo assim, isto poderia querer dizer que Deus nos teria entregue o mundo, porque sabia que O adoraríamos. Fundamentaríamos toda a existência em Sua função, usaríamos o Seu nome em frases do dia-a-dia (“Deus queira que…” ou “Vai com Deus”), referir-nos-íamos a Ele usando sempre a maiúscula.

A outra hipótese, ainda para quem acha que Big Bang é uma marca de pastilhas elásticas, é que nem Deus tivesse previsto aquilo de que o ser humano era capaz. Mas devia ter percebido, logo com as “nossas” primeiras invenções – “fogo? roda? moca? moeda? oh que caraças…”

Para os pobres infiéis, tudo isto está muito certo. O homem esteve, está e estará entregue a si mesmo, é dono do seu destino, e tem de se responsabilizar pelos seus actos, assumindo as suas consequências, sejam estas uma guerra nuclear ou simplesmente um selo nas cuecas, até ao final da sua miserável e angustiada existência. Que maravilha.

Seja como for, não há garantias de que este planeta seja nosso. Por cada batalha ganha contra a natureza (vacinas, antibióticos, implantes de silicone), há outra que aparece, seja esta um vírus destrutivo, uma doença incurável, ou mais um concorrente de reality shows. Veremos quem ganha no fim...

quinta-feira, março 02, 2006

E Eles Coiso.... Mergulham





PS1: As declarações são da responsabilidade do interveniente
PS2: Para quem não conseguir visualizar pode fazer o download do ficheiro aqui ou tentar ver aqui.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Montanha de costas partidas

A ultima obra de Ang Lee logo no título, tem alguma ironia – Brokeback Mountain, em tradução literal, a montanha das costas partidas, nome da história de um amor homossexual? Tem de ser brincadeira.

Não acho que a homossexualidade entre dois cowboys seja uma ideia assim tão rebuscada. Afinal de contas, estamos a falar de homens que passam grandes temporadas isolados, tendo como única companhia outros cowboys, e gado. Ora, chamem-me mariconço, mas se tivesse de escolher entre um enorme bovino, ou alguém com quem sempre podia falar do tempo, até lingerie de couro começava a usar. E nem era preciso ser o Heath Ledger, ou o Jake Gyllenhaal. Até o general Ramalho Eanes ia.
Por esta razão, não me parece que o filme faça a apologia da homossexualidade. Simplesmente, apresenta-a como uma válida alternativa à zoofilia.

De qualquer forma, nunca mais vou olhar para o John Wayne da mesma forma. Bem me pareceu que aquele ondular de anca não era deficiência nenhuma. E aquela agressividade toda? Sempre aos murros e aos tiros a todos os cowboys que lhe cruzavam o caminho. Um larilas, é o que é!

Não que isso tenha alguma coisa de mal. De facto, a homossexualidade é um conceito que até tenho em alguma estima. Sobretudo a feminina mas mesmo em relação à masculina não tenho nada contra.

Adoro beber uns copos com os meus amigos, ver filmes, ir ao futebol, ou simplesmente conversar. Acho que adorava mesmo viver com eles… desdes que não tivesse que lhes tocar em parte nenhuma do corpo, e me deixassem trazer miúdas para casa.

Entretanto, parece que há uma nova estirpe de homens – Fazem nuances no cabelo, manicure, depilação, massagem, solário - aquilo a que chamam metrossexual, que sempre é menos ofensivo do que paneleiro, ou inútil. Supostamente, será o homem ideal. Não é homossexual, mas tem bom gosto (ou o que hoje em dia passa por isso), cuida de si, e é sensível. Companheiro ideal para a mulher, desde que ela tenha tendência para o lesbianismo, e não se importe de partilhar o rímel.

Na boa tradição do cinema Português, vai com certeza aparecer um filme Português, que conta a história de dois pastorinhos que se apaixonam um pelo outro. Podem ser dois rapazitos que façam aquelas novelas para miúdos da TVI, por muito maus actores que sejam, são naturalmente dotados para o papel. Depois anunciam que se apaixonaram realmente durante as gravações, casam-se em Espanha e 3 meses depois estão num reality show da TVI, a discutir tarefas diárias com o Frota, o Zé Castelo Branco, e um violador de menores.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Barreira

Depois de ter ido pela enésima vez almoçar à cantina da Faculdade de Economia hoje reparei nesta placa numa saída do porque de estacionamento desta.



É só impressão minha ou há alguma coisa que não bate certo?

sábado, fevereiro 11, 2006

Os Cartoons

Alguns Muçulmanos (penso que uma minoria), a ala mais radical e extremista (e mais influenciável pelos seus líderes), estão mais uma vez a provar que são fanáticos, intolerantes, irascíveis, raivosos, pelo menos se pensarmos nestes que vemos nos noticiários, a berrar, a atirar pedras, a queimar bandeiras. É claro que, em boa verdade, essas também podiam ser imagens de mais uma demolição de barracas na Amadora, mas isso já é outra conversa.

Ainda pior do que ver as imagens nos distúrbios (os causados pelos Árabes) na televisão, é estar lá. Na televisão, só temos mesmo a imagem e o som. Quem lá está, expõe-se àquilo que de mais temível há numa multidão – o cheiro. Sinceramente, estando lá, não sei o que ia procurar primeiro, se a policia, se um desodorizante. Esse, sim, é o verdadeiro Deus de muita daquela gente, mais inatingível do que o profeta Maomé – a higiene pessoal.

Os Católicos seriam simplesmente incapazes de tais demonstrações de violência. Não há registo de nada assim, na história da igreja Católica. Pelo menos, depois do Santo Oficio.

Mesmo nós, Portugueses, podemos orgulhar-nos de termos dado, ao longo da nossa história, que começou alguns anos antes da “Escrava Isaura”, um valioso contributo para a pacífica coexistência de religiões no nosso país. Isto graças à nossa mentalidade aberta, ao respeito pelas ideias dos outros, e ao nosso temperamento brando, embora a Inquisição também tenha ajudado.

No que toca à fúria dos Muçulmanos, há um erro de casting. Os Nórdicos não têm culpa, não fizeram por mal. Niilistas por transmissão genética, é-lhes tão possível conceber o conceito de “sagrado”, como conseguir um bronzeado saudável, ou pronunciar a palavra “bacalhau”. Não há nada que coloquem acima deles próprios, a começar pela sexualidade, sua ou dos que os rodeiam.

E o pior ainda está para vir. O Islão vai contra-atacar com cartoons próprios. Eles vão desenhar coisas para chatear o resto do mundo. Já estou a imaginar: José a apanhar Maria na cama com dois homens, e a berrar, furioso “Muito bem! Qual de vocês é o Concepção e qual é o Maculada???”; Hitler, irado, a dizer aos seus generais “Não erra parra os matarr! Eu só querria umas alheirras!!!”; Buda, sentado na sua posição típica, em cima de uma retrete, a pensar “vai em paz, meu filho”. Mas mesmo assim, e não me incluindo a mim em nenhuma religião, duvido que algum destes povos reagisse de tal maneira extremista.

Enfim, vai ser difícil, temos de ser fortes. Ou pelo menos, se nos der a fúria, e quisermos mesmo queimar, berrar e partir, temos de nos lembrar de o fazer em sítios em que ninguém note, como a Amadora.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

A Tropa

Há algumas semanas atrás estava eu em casa e recebo uma carta a dar a notícia que no dia 7 de Fevereiro (ontem) teria de ir a Gaia, ao regimento de artilharia 5 na serra do Pilar, ao dia da defesa nacional, aquela coisa que o Paulo Portas inventou para dizer que já não há Serviço militar obrigatório, obrigando-nos a perder um dia para irmos a um conjunto de actividades chatas e sem interesse que supostamente nos aliciarão para a vida militar, ou seja, um dos dias mais inutilmente desperdiçados da minha vida até agora.

Eu lá fui, dava-me mais jeito ter ficado a estudar Análise Matemática, mas pensando bem assim arranjei uma boa desculpa para o bastante provável chumbo à cadeira.
Apesar do atraso da camioneta lá chegamos enfim ao quartel.
Primeira impressão: só gajos, aquilo ainda é pior que a FEUP… Porquê que as meninas não têm que ir? Eu tenho tantas aspirações de seguir carreira militar que uma bailarina clássica e fui… Pelo menos sempre dava para animar mais o dia…
Mas adiante, a primeira cerimónia a que assistimos foi o içar da bandeira, acabada esta mandaram-nos ir tomar o pequeno-almoço e depois deste lá fomos para uma palestra (leia-se seca) de onde saímos para visitar uma parte do quartel e ver algum do armamento usado pelo exército. À primeira vista a maioria daquelas armas pareciam relíquias da 2ª Guerra Mundial e da Guerra Colonial, e eram… mas também ainda são usadas pelos militares portugueses.
Hora do almoço – muita fome… fome que passou logo quando vimos o almoço. Sopas com aspecto de Nestum com algas moídas, ossos de coelho com batatas cozidas até a exaustão até ficarem com aspecto de puré. Nem o sumo de laranja se aproveitava. Depois de (não) ter comido aquilo tudo, que nem deu para encher o buraco de uma úlcera estomacal, salvou-me uma máquina de chocolates… um twix não é muito saudável mas deu para tirar o sabor daquilo que tinha acabado de ingerir. Felizmente resultou e não tive de vomitar o chão todo.
Depois mais uma palestra, sobre os cursos que se pode tirar nos vários ramos militares (Forças armadas, Marinha e Exército). Parecia uma reunião de tamparueres onde nos tentaram impingir uma carreira militar.
A seguir a isto lanche e mais uma vez a refeição era coisa boa... umas bolachinhas (que pelo aspecto fizeram anos recentemente) e um yogurte de banana.
E pronto, lá arrearam a bandeira e fomos todos para casa… assim se passou um dia, sem fazer nada de útil para o meu futuro, mas pronto... até à próxima senhores tenentes.

P.S. Apesar de tudo o dia de ontem melhorou a imagem que eu tinha das forças armadas… mas qualquer coisa em comparação com a “1ª Companhia” é bom.

sábado, fevereiro 04, 2006

Este manto branco!

O nevão do fim-de-semana passado foi coisa bonita de se ver. À primeira vista, podia parecer um simples fenómeno meteorológico. À segunda e terceira também. Mas é aí que entra o Português, com a sua capacidade de romancear o trivial a roçar o budismo.
- É molhada…é fria…
- Pois, mas é branquinha!

Nem Moisés teve um povo assim. Impostos, desemprego, inflação, tudo isso se esquece, desde que haja uma vitória desportiva, política, ou desde que esteja frio o suficiente para que a odiosa chuva fique um pouco mais sólida, e caia aos floquinhos.

Manchetes de jornais berravam “Sul do país não está preparado para nevões!!!”. Isto é trágico! Em que é que esta gente anda a pensar? Ainda há 52 anos nevou em Lisboa!

Eu, por acaso, estou preparado. Tenho um trenó mesmo ao pé da porta, pronto para estes casos. E ao lado deste, uma prancha de Surf, para quando for à Serra da Estrela. Nunca se sabe.
Ainda bem que há quem chame a atenção para estes problemas. Eu proponho já como prioridade Nacional a construção de um teleférico sobre a cidade de Lisboa. A partir da OTA. E logo a seguir, um guarda-roupa novo para o professor Cavaco Silva.

Infelizmente a neve só caiu durante umas horas, e portanto, não deu para que o governo decretasse o estado de calamidade. A única esperança é que os D'zrt se decidam a ir lá dar um concerto.

Mas as maiores vitimas foram, sem dúvida, os habitantes dos subúrbios de Lisboa. Deve ter sido grande a sua alegria, ao ver as ruas das suas localidades cobertas (e, mais importante, escondidas) por um branco e virginal manto de neve. Só equiparada à desilusão de o ver a esbater-se, com a merda da paisagem de sempre a vir ao de cima.

Foi um Domingo mágico! Muita gente tirou fotografias, brincou com a neve (a que conseguiu agarrar antes de cair no chão e derreter), presenciou algo de muito raro, mas acima de tudo, esqueceu que no dia seguinte seria segunda-feira. Isso sim, é milagre!

sábado, janeiro 28, 2006

Presidenciais

Uma jornalista durante um directo, no dia das presidenciais, disse que as eleições decorriam na normalidade, excepto num ou noutro caso. E depois descreveu um desses casos. Uma povoação do interior norte, onde os locais enfrentavam a GNR com paus e sacholas para garantir o boicote ao acto eleitoral. Ora aí está a resposta ao choque tecnológico, à contenção económica a todo o custo e à conversa oca dos políticos: uma sachola.

Adoro este país quando ele, uma vez por outra que seja, sai da sua modorra e se agita. É boçal, eu sei. Mas pior que boçalidade é a indiferença. Enfim, um pensamento que me introduz ao tema de hoje, de ontem e de amanhã, as presidenciais.

Pois é, lá conseguimos eleger mais um presidente da república, e tal como com uma prima de um amigo meu, foi logo à primeira!

Foram várias as semanas em que estas eleições nos ocuparam a televisão, a imprensa escrita, e a cabeça, como se de mais uma telenovela da Globo se tratasse – “Mário, Francisco e Manuel detestam Aníbal, mas a direita o adora…quem será que vai conquistar a presidência? E quem é esse não-sei-do-quê Pereira que anda sempre de cachecol vermelho? A seguir cenas do próximo episódio…” – isto já para não falar dos antecedentes meses jogados a tabus de fazer inveja aos três pastorinhos.

Foram também várias as ocorrências (desculpem-me o termo de policia dos subúrbios) em mais estas presidenciais, que são sempre uma roda-viva, mesmo com candidatos a poucos anos de uma algália.
Speaking of which, Mário Soares voltou a levar na cara, e não foi só daquele veterano de guerra, ele próprio a merecer uns sopapos, quanto mais não seja por andar na rua com jornais como “O crime”.
Também Manuel Alegre, que se fartou de esconder o nariz na sombra, veio “molhar a sopa”. Mas com quem Mário Soares deve estar mesmo aborrecido é com a pessoa que escolheu a sua imagem para aquela ideia do “mp3”. Bem, do mal, o menos. Não deu para o eleger, mas se por acaso Filipe La Féria viu os cartazes, Mário Soares ainda poderá ter uma carreira no teatro.

O Alegre também ficaria bem como presidente. Tem postura. Tem grandiloquência. Tem uma barba (imagino a inveja dos outros candidatos). Tem porte. Tem uma caçadeira. Tem tudo. Excepto a maioria dos votos.

Jerónimo conseguiu o grande feito de conseguir chegar ao dia das eleições sem ter de consultar um otorrino. Está mais calmo, mais controlado, com maior capacidade de exteriorizar aquilo que pretende fazer passar por ideias. Parece quase um político.

Louçã, mais uma vez, foi o grande paladino das causas perdidas. A sua mensagem é interessada, infraestrutural e cívica, mas como quem vota ainda são os Portugueses…

Que escolheram para seu presidente o homem que faz Ramalho Eanes parecer o apresentador do “Big show SIC”. Firme e hirto, de convicções fortes, sejam lá elas quais forem, até na hora de se sentar no tejadilho do carro. O homem que provou que todo o Português pode ser presidente da republica, mesmo que se chame Aníbal. E começou bem. Logo na noite de vitória, deixou-se filmar a janela de sua casa (vá lá, não era a da casa de banho), e nós todos à espera que ele falasse em directo do confessionário com a Manuela Moura Guedes – “A casa do Aníbal”!!!

Sobra Garcia Pereira (aquele do cachecol), deve ter em mim a primeira pessoa a dedicar-lhe um parágrafo inteiro mas falo dele pois acho que se deve dar espaço a todos. Por isso, parabéns Garcia pelo teu corte de cabelo simétrico e aprumado. Pronto, já falei.



Até ao final do Obikwellano governo de Santana Lopes, todos julgávamos ser meramente simbólica a figura de um presidente da república de Portugal. De repente, com a dissolução levada a cabo por Jorge Sampaio, todos ficámos a saber que um presidente não serve só para cortar umas fitas, embirrar com uns decretos mais ou menos escolhidos aleatoriamente e fazer umas visitas a centros de saúde. Tem também poderes para além do de conseguir ser fotografado ao lado do Bono.

Mas todos nós, nascidos em famílias tradicionais Portuguesas, sabemos bem quem verdadeiramente manda no nosso país. Não é o primeiro-ministro, nem o Presidente da Republica. São as mães deles, essa é que é essa!

“Então, filho, já decidiste?...O quê??? Nem penses! Disseste que não ias subir os impostos, agora não sobes! O meu filho não é mentiroso! “
“Mas ó mãe, a política é mesmo assim…”
“Pois, e quem é que atura o Sr. Manuel da Mercearia, amanhã?”
“Ó mãe, caramba…”
“Já disse!”
(suspiro)
“E não te atrases hoje, aí nessa coisa do orçamento do não-sei-quê, que já pus a sopa a ferver…”


E agora preparem-se que esse thriller que se chama “Portugal” segue dentro de momentos.